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Cartas para depois
Exemplos de cartas para um filho ou uma filha ler no futuro, da gravidez aos primeiros anos, com um modelo simples e ideias de onde guardar.
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Escreva sobre um dia de verdade. Conte quem seu filho é agora, como é a vida de vocês e o que você deseja que ele saiba quando abrir a carta. Meia página basta.
Seu filho vai abrir essa carta sabendo como a história continuou. O que ele não vai saber é como era uma terça-feira qualquer quando ele era pequeno. É isso que vale a pena registrar.
As cartas que mais emocionam têm quatro ingredientes: a data e o lugar de onde você escreve, alguns detalhes do seu filho hoje, um pouco da sua própria vida neste momento e um desejo que continue valendo, seja quem for que ele se torne.
Escreva o que a foto não mostra.
Copie e troque o que está entre colchetes. Apague o que não tiver a sua cara.
“Meu amor, escrevo no dia [data], em [lugar]. Você tem [idade] e agora você [mania ou coisa preferida]. Sua [comida, música ou brincadeira] favorita é [detalhe]. A frase sua que faz a gente rir é ‘[frase]’. Um dia normal nosso é assim: [duas frases]. Uma coisa que estou aprendendo como [mãe, pai, avó] é [uma frase]. Não sei como está a sua vida enquanto você lê isto, mas espero que você saiba que [desejo]. Com amor, [nome].”
“Oi, meu bebê. Você ainda não nasceu e já mudou tudo por aqui. Estou com trinta e uma semanas e você chuta toda vez que seu pai coloca música.
O berço já está montado, torto de um lado porque montamos sozinhos. Sua avó tricotou um casaquinho amarelo porque ainda não sabíamos se você era menino ou menina. Tenho medo de não dar conta e uma vontade enorme de ver o seu rosto. Estamos te esperando. Com amor, mamãe.”
“Minha Helena, hoje você faz um aninho. Você tem seis dentes, uma gargalhada que vem da barriga e opinião forte sobre banana.
Na noite em que você nasceu choveu muito, e a enfermeira abriu a janela para eu ouvir. Lembro disso toda vez que chove. Este ano você me ensinou que eu aguento mais do que imaginava.
Não sei quem você vai ser quando ler esta carta. Sei que, com um ano, você estende os braços para todo mundo. Espero que continue assim. Te amo, mamãe.”
“Filho, hoje não aconteceu nada de especial, e é por isso que quero te contar. Você tem quatro anos. De manhã você calçou o tênis no pé errado e disse que estava ‘do jeito que você gosta’. No caminho da escola você me perguntou se as nuvens dormem.
Eu ando cansado e preocupado com o trabalho, e mesmo assim este é o melhor tempo da minha vida. Se um dia você duvidar do quanto foi querido, volte para esta página. Seu pai.”
Responda três destas perguntas e a carta está pronta.
Muita gente cria um e-mail para o filho e vai mandando mensagens ao longo dos anos. A ideia é bonita e tem riscos que pouca gente conhece. O Google pode excluir contas pessoais que ficam dois anos sem uso, e só receber mensagens não conta como uso: alguém precisa entrar na conta. Há também idade mínima para ter uma conta em nome próprio, e uma senha esquecida pode trancar tudo.
Se você escolher esse caminho, entre na conta a cada poucos meses, cadastre duas formas de recuperação e guarde uma cópia das cartas em outro lugar.
Uma carta de papel num envelope identificado funciona, desde que alguém lembre onde ela está daqui a quinze anos. Escreva a data de abertura por fora e conte para outro adulto onde guardou.
Uma cópia digital protege contra mudança de casa e caixa perdida. Na Everlittle você pode guardar a carta com uma data de abertura e juntar fotos e um áudio do mesmo dia. Os avós e padrinhos que você convidar podem acrescentar as cartas deles pelo navegador. Seja qual for a escolha, tenha sempre uma segunda cópia do que você não conseguiria reescrever.
Estes guias foram escritos em português. Por enquanto, o aplicativo da Everlittle está disponível em inglês.
Comece com uma frase, uma foto ou uma voz querida.